À Procura de um Amor

À Procura de um Amor

Encontrar a cara-metade é, para algumas pessoas, uma meta de vida, uma busca que pode se tornar longa, penosa, cansativa, às vezes divertida, outras vezes frustrante. Todos nós queremos alguém ao nosso lado no caminho. O ser humano é social e a vida é mais leve com companhia. E aí começam as dúvidas: porque alguns encontram a pessoa certa tão cedo na vida enquanto outros têm que continuar buscando vida afora? Esbarram aqui e ali, mas nunca têm certeza se era aquilo mesmo que procuravam…

Do ponto de vista do Budismo, tudo parte do nosso autoconhecimento e auto aceitação. Sem uma exploração destemida de quem somos, com o objetivo de fazermos as pazes com nós mesmos, nossas chances de encontrar um parceiro ideal são mínimas. Precisamos estar dispostos a enfrentar nossos medos e ansiedades com coragem. Isto não quer dizer eliminá-los, e sim aceitá-los como parte da nossa jornada terrena. Quando uma pessoa começa a mentir, fingir, usar máscara, é a hora de encarar seus fantasmas de frente e fazer as pazes com eles.

É preciso entender que existe uma relação circular entre nossa capacidade de conhecer e amar o outro e conhecer e amar a nós mesmos. Isto não significa que devemos nos tornar perfeitos e desprovidos de falhas e fraquezas, mas sim aceitar plenamente nossa condição humana, com todos os percalços que ela implique, com tranquilidade e compaixão.

Se eu me aceito como sou, se eu estou em paz com quem sou, eu vivo em verdade; não preciso esconder ou mascarar meus defeitos. Desta forma sou mais capaz de amar alguém sem medo. Meu compromisso com a verdade cria um porto seguro interior, tão necessário quando nos envolvemos em um novo relacionamento amoroso. Certamente isto não elimina a possibilidade da dor, mas quando sabemos que aquele porto seguro depende só de nós, não sentimos medo ou solidão.

Muitas vezes procuramos o amor da maneira errada, conferindo ao bem-amado o poder de nos dar e nos tirar a felicidade, esquecendo ou ignorando o fato de que este poder é só nosso e está dentro de nós.

Uma relação verdadeira só pode ocorrer quando podemos olhar nosso parceiro nos olhos e vice-versa, conscientes de todos os seus segredos, conhecendo seus momentos de doçura e fúria, egoísmo e generosidade e, ainda assim, amá-lo. É este o potencial de uma relação consciente. Procurar em uma relação apenas segurança, conforto, refúgio, é aceitar uma convivência desprovida de vitalidade e energia – embora muitos prefiram assim.

Portanto, na medida em que fazemos as pazes conosco e deixamos de pedir ao universo que nos traga um parceiro, nos tornamos verdadeiramente abertos a encontrar uma pessoa especial que, tanto quanto nós mesmos, nos aceitará e nos amará exatamente como somos, e com quem dividiremos esta jornada de luz.

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