Amor, Medo e Familia

Amor, Medo e Familia

Responda rápido: qual é o sentimento oposto ao amor? A maioria responderá – o ódio. Errado, segundo abordagens budistas ou espiritualistas de vida, para as quais existem apenas duas emoções básicas: amor e medo. Sri Nisargadatta Maharaj disse “Você é puro amor – quando não está com medo.” Quando amamos, estamos livres do medo, e quando estamos com medo, somos incapazes de amar.

Os conflitos familiares muitas vezes são o foco de processos de Coaching. Reorganização de papéis, funções, reestrutura do grupo, tão necessários nesses tempos onde os modelos de núcleos familiares tomaram as formas mais diversas possíveis, podem se transformar em metas a ser atingidas em curto prazo, como forma de trazer mais qualidade de vida, paz e equilíbrio ao dia-a-dia do homem moderno.

Porém o pilar da maioria dos grupos familiares ainda é o relacionamento de um casal, seja este qual for – hetero ou homossexual. Portanto, é geralmente no relacionamento a dois que se encontra o nó a ser desatado para dar início à nova ordem desejada.

Neste caldeirão muitas vezes tudo é jogado sem que tenhamos consciência, só aumentando os meandros desse nó: sentimentos, vivências de cada um, traumas, carências, projeções, expectativas, demandas, e medo. Medo de tudo. Medo de amar, medo de depender, medo de ser amado, medo de se entregar, medo de abandonar e medo de ser abandonado; medo de desagradar, medo de ser enganado, medo de perder, de ser rejeitado. E qual é o significado disso tudo?

Viver no medo significa, antes de mais nada, uma desconexão total do nosso centro, da nossa essência, da nossa verdade maior. Significa que estamos vivendo de acordo com crenças falsas, que nos consideramos uma parte apenas e não um todo, e achamos que, como parte, somos incapazes de sobreviver se algo der errado. Muitos se antecipam no medo e preferem até mesmo nunca se unir a alguém para evitar tamanha ameaça.

Para o sucesso da reestruturação dos papéis de um casal, é preciso que os dois tenham consciência de que o medo vem dos mitos que criamos para nos proteger. Precisamos entender que, como adultos, ninguém pode realmente nos “abandonar”, ou nos rejeitar, a não ser nós mesmos. As pessoas podem ficar ou partir, como nós. E que, se estivermos alinhados com a nossa verdade, com a nossa honestidade, qualquer que seja a escolha do outro, será a melhor para nós. Nenhum relacionamento vale a desconexão com a nossa essência, a barganha com nossos valores, com nossos princípios, com nosso amor próprio. Nem em curto prazo, nem em longo prazo.

De grande utilidade em um relacionamento a dois é, então, reconhecer as formas disfarçadas que este medo com raízes profundas pode tomar: culpar o outro, agir na defensiva, ter excesso de atividades, agitação, ansiedade, insônia, excesso de criticismo, desculpas, comportamentos compulsivos, também são máscaras do medo.

Sem este processo de conscientização e reconhecimento, que nos possa conduzir às origens das nossas aflições, é muito difícil encontrar o caminho da harmonia entre um casal. E sem esta harmonia, a ordem da família como grupo que interage em equilíbrio fica comprometida.

É preciso então saber que só fazendo esta jornada espiritual em busca da nossa verdade, abrindo mão dos comportamentos descritos acima como formas veladas de medo, é que conseguiremos abaixar a sua máscara para descobrir um poderoso tesouro bem no centro de nós mesmos, capaz de nos fazer sentir inteiros e prontos para amar.

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