Autoestima e a ilusão das Redes Sociais

Autoestima e a ilusão das Redes Sociais

Nesta era intensa de informação e exposição que nos bombardeiam ininterruptamente, ficam cada vez mais difíceis aqueles momentos de introspecção e autoanálise. Acabamos nos desconectando de nós mesmos e deixando de compreender como agimos e o que nos move verdadeiramente. Muitas vezes acabamos por nos sabotar por pura falta de consciência.

Um dos grandes fatores de auto sabotagem é a baixa autoestima, mas nem sempre é fácil reconhecê-la, que dirá dominá-la. Pessoas em geral muito severas consigo mesmas, mas indulgentes com os outros, que pensam demais, muito ansiosas e agitadas emocionalmente, muito preocupadas com a opinião alheia, que evitam aceitar desafios e exposição, podem sofrer de baixa autoestima.

Algumas pessoas portadoras desta crença limitante tendem a mudar o foco de suas vidas para áreas que dominam bem, como o trabalho, onde sentem menos pressão que em relacionamentos pessoais e no mundo social; muitas são tão ansiosas quanto ao fracasso e ao medo de rejeição, que tentam se destacar e provar seu valor nesta área.

As possíveis causas deste inimigo invisível estão, em geral, em experiências negativas da nossa infância ou adolescência, tais como críticas severas ou falta de elogios da parte de figuras de autoridade, negligência, intimidação, preconceito, ou qualquer forma de abuso.

O mundo virtual surge então como ambiente ideal para resolver o problema, trazendo o melhor dos paliativos às dores da baixa autoestima – a ilusão. Tudo é possível e tudo é permitido no mundo virtual. E aquele que tem dificuldades de se relacionar de fato com pessoas de carne e osso, pode se tornar quem quiser à distância e ver sua popularidade crescer como nunca anteriormente no mundo real.

Tais pessoas tornam-se dependentes do remédio que, com a facilidade de um pequeno clic, traz alivio imediato àquela ferida. E o que começa como simples brincadeira torna-se um vício no coração e na mente dos que se julgam inadequados e sem valor. A pessoa passa a querer ser um colecionador de “likes” e a julgar seu desempenho na vida através deles. E o pior, passa a enxergar os que lhes conferem “likes” como amigos, e aqueles que o “boicotam”, ao seu entender, não lhes conferindo “likes”, como inimigos.

A ilusão chega a tal ponto que pessoas até com altos níveis de inteligência muitas vezes acabam perdendo a dimensão real dos fatos, desconsiderando hipóteses tais como o fato de nem todo mundo viver conectado nas redes sociais, nem todo mundo se importar com elas apesar de manter um perfil, ou mesmo desconsiderando o fato de que uma pessoa lhes conferir um “like” não é nenhuma garantia de bom caráter ou boas intenções. O grau de importância que conferem àquele “like” é desproporcional, muitas vezes, à própria sensatez. Neste ciclo vicioso de eterna necessidade de feedback positivo, a pessoa se desconecta cada vez mais de si mesma e da sua essência,  desvalorizando aquilo que realmente importa no mundo real.

Quebrar esta cadeia depende de uma atitude deliberada e consciente de querer fazer uma autoanálise e mudar o foco da atenção dedicada em demasia à imagem exterior, para a essência interior. Depende de querer viver na vida real toda a satisfação e prazer experimentados ilusoriamente no mundo virtual.

Somente uma jornada interior que nos leve ao tesouro de potencial existente em cada um de nós é que pode trazer um novo propósito e uma nova autoimagem à pessoa. Reconhecer nossos talentos e limitações pode nos encher de coragem para enfrentar o que parecia insuportável. A estima a nós mesmos, imagem e semelhança que somos do nosso criador, é ferramenta chave no caminho para uma vida mais plena e satisfatória, mais livre e verdadeira. É uma mudança de perspectiva, de rumo. Basta saber em qual direção escolhemos seguir.

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