Buscando a Cura do Amor

Buscando a Cura do Amor

Sofrer as agruras de um amor não correspondido – quem nunca? Aquela sensação de que bastaria um olhar, um sorriso ou uma palavra daquela pessoa para iluminar nosso dia. A glória parece tão perto, a felicidade tão próxima, porém, ao mesmo tempo, tão fora do nosso alcance… nessa hora o que ouvimos de quem nos quer bem é “esquece fulano/a”.

Mas parece que quanto menos queremos pensar na pessoa, mais pensamos. Assim o ciclo do amor não correspondido vai se alimentando e, consequentemente, fortalecendo um mito. E perdemos a capacidade de enxergar com clareza que a cura para esse amor não está em deixar de pensar na pessoa, mas sim aprender a ver com mais realismo quem ela, de fato, é.

Se nos olharmos bem de perto no espelho, saberemos que nós e todos os outros seres humanos somos extremamente complicados. Nós somos seres emocionais, temperamentais, vaidosos, carentes, exigentes, egoístas, caóticos. Passamos pela vida – aqueles com relativa saúde mental – tentando nos aprimorar, aprender, crescer. O que nos mantém ligados emocionalmente ao mito daquele amor que não nos ama é, de certa forma, acreditar que ele escapou dessa regra da condição humana. Portanto, o que nos mantém presos ao ciclo é a ignorância com relação à pessoa amada.

Pelo fato do nosso amor não ser aceito, não podemos nos aproximar o suficiente para conhecer a pessoa de perto. Isto torna o amor não correspondido intenso, duradouro e perverso. Não podendo conviver com a pessoa, não temos a chance de ser decepcionados, desapontados, desencantados por ela; não passamos pelos pequenos desgastes rotineiros do dia-a-dia dos amores correspondidos. O que nos mantém magnetizados ao amor não correspondido não é o fascínio do bem-amado, mas a falta de conhecimento dos seus defeitos.

Portanto, a cura para um amor não correspondido é, em tese, muito simples. Basta que façamos um estudo mais detalhado, mesmo à distância, de quem é aquela pessoa na realidade. Com grande probabilidade poderíamos descobrir que o nosso amor é uma pessoa crítica, instável, fria, egocêntrica ou mal-educada; ela terá muitas qualidades também, mas muitas vezes diferentes daquelas que projetamos.

O fato é que a paixão romântica é uma ilusão. Em geral ela não sobrevive à exposição à realidade. É como se estivéssemos acostumados a ver alguém à meia-luz e, de repente, passássemos a enxergar sob a luz de holofotes. A vida a dois tem muitos ganhos, mas com toda certeza ela acaba com mitos e ilusões.

Enquanto não conseguimos atrair a atenção da pessoa em quem depositamos nossas esperanças de pura alegria, prazer, bem-estar, seria saudável tentar um exercício de imaginação, onde nosso bem-amado mostrasse seu lado sombrio, difícil, humano. E se descobrirmos que esse lado existe de fato, aí sim, estaremos livres.

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