EM BUSCA DO EU

EM BUSCA DO EU

No corre-corre em que vivemos, sempre buscando atingir algum objetivo, pouco tempo nos sobra para olharmos pra dentro de nós mesmos. Muitas pessoas até evitam ou temem fazê-lo. Mas chega uma hora em que a desconexão entre o mundo interior e o exterior gera tamanho fosso que o ser humano entra em colapso e aí, então, ele é obrigado a parar e buscar ajuda.

Viver no terceiro milênio tem um preço alto, é verdade. Cidades loucas, multidões por toda parte, barulho, tecnologia, caos. Mas, por outro lado, a mente humana vem evoluindo ao longo do tempo através do conhecimento humanístico e tecnológico, da cultura, do refinamento intelectual. Graças a esta evolução o homem de hoje tem inúmeros caminhos à sua escolha na hora de abordar dificuldades pessoais de qualquer espécie, e existem momentos em que a vida realmente parece dar um nó.

Nada parece fluir; o relacionamento vai mal, o trabalho nos deixa insatisfeitos, a rotina sufoca, a cidade massacra. Parece que não conseguimos encontrar a saída e, sob esta impressão, muitas pessoas acabam se entregando a algum vício, se descuidam, adoecem. Mas grande parte procura alguma forma de terapia ou coaching; há aquelas que se apegam à religião ou outras práticas espirituais, outros tentam o esporte, enfim, a variedade de caminhos para desatar o nó é imensa.

Qualquer que seja o caminho escolhido, tomar qualquer iniciativa, em si, já tem grande validade. Mas o destino, um só. Sem um conhecimento profundo e investigativo de si mesmo o homem não chega a lugar nenhum. É preciso coragem, porque nem sempre vamos gostar daquilo que encontramos. É preciso humildade para ir de encontro àquilo que muitas vezes nega tudo que aprendemos como certo e errado. Mas aqui não existe alternativa. A única felicidade possível está mesmo enraizada nas profundezas de quem somos e na aceitação e convivência pacífica com esta realidade.

Viver em sintonia com nós mesmos, nos conhecendo e aceitando, é a única forma de viver com verdade e integridade.  Não precisar de máscaras, não enganar ninguém – inclusive a nós mesmos – não mentir, produz paz. E quanto mais comprometidos estivermos com esta união interna, mais próximos estaremos de poder amar o outro, pois não precisaremos mentir, ou esconder, ou ter vergonha de nada. Não precisaremos agir como camaleões para nos tornar atrativos.

Nosso compromisso com a verdade cria um porto seguro dentro de nós mesmos, onde podemos buscar refúgio quando a caminhada pesa. Quando aprendemos a aliviar a dor e a relaxar, em nosso mundo privado, não temos medo. Encaramos o desafio de sermos honestos e abertos para o mundo, sem temer os resultados. Nada disto quer dizer que estaremos livres da dor. Infelizmente ela faz parte da vida, e aceitar este fato a torna menos difícil. Mas ter este refúgio garantido onde nossos medos mais primitivos – solidão, abandono, desesperança, dependência – são minimizados e compreendidos, onde nossas imperfeições são aceitas e não julgadas e junto com nossas qualidades formam a joia única que cada um de nós possui em sua essência, é a única e real segurança que se pode ter.

Somos parte de um todo maior, a nossa verdade e a nossa essência apenas um reflexo da grande verdade maior que, segundo Gandhi, é apenas um outro nome para Deus.

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