GUT FEELING

GUT FEELING

O mundo ocidental prepara seus filhos para viver com razão, para guiar seus passos com base em argumentos palpáveis, que correspondam aos padrões ou convenções estabelecidos como o certo, o bem, o sucesso. Assim somos ensinados e treinados ao longo da vida. Vivendo de acordo com tais padrões de referência nossas chances de “chegar lá” são praticamente garantidas. Nos momentos em que temos que tomar alguma decisão, é esta a voz que ouvimos. Muitas vezes dá certo, e a vida flui sem maiores questionamentos.

Ocorre que algumas vezes aquilo que parece ser o certo não nos convence, e nos sentimos “sabotados” por uma voz interior que não entendemos de onde vem, não conseguimos articular, não sabemos enquadrar, mas que insiste em apontar em direção contrária a tudo o que conhecemos. Que bom seria se todos tivéssemos a coragem de confiar nessa voz sem medo. É aquele conhecido “frio na barriga”, aquela sensação na linha do estômago, aquela voz que vem das entranhas, que em inglês chamamos de “gut feeling”, e que nunca se engana. Trata-se de uma crença mais profunda que não tem explicação, sobre o certo e o errado, com base naquilo que se sente e não no que se pensa.

Ouvir esta voz requer reeducação dos nossos hábitos. Muitas vezes parece arriscado fazer algo que não se enquadra nos padrões convencionais, nas receitas prontas. Corremos o risco de perder validação, segurança, muitas vezes até conquistas que já fizemos anteriormente. Mas, por outro lado, quando ouvimos esta voz inarticulada na tomada de uma decisão, logo percebemos que saímos mais fortes, mais íntegros, mais criativos, com maior poder pessoal. Na verdade, essa força vem do alinhamento da nossa verdade essencial com o poder universal, com uma verdade maior. Quando agimos em acordo com este alinhamento, portas começam a se abrir de uma maneira quase milagrosa. Podemos desapontar algumas pessoas neste caminho, mas no longo prazo todos se beneficiam.

Como diz o ditado, “A prática faz a perfeição”, portanto é exercendo a prática que ficamos cada vez mais sintonizados com essa voz intuitiva. Embora ela esteja na maioria das vezes absolutamente correta, não é sempre que conseguimos interpretá-la corretamente. Leva tempo. Existem outras vozes interiores que podem nos confundir, como a voz da consciência, nossos velhos padrões e crenças, a opinião dos outros, medos, dúvidas ou a nossa razão. Como entendê-la então?

Uma sugestão é prestar atenção a ela regularmente, pelo menos duas vezes ao dia, através de alguns momentos de relaxamento ou meditação. Peça ajuda e orientação quando precisar e esteja aberto às respostas que virão das mais diversas formas: palavras, imagens, sonhos, ou mesmo por caminhos indiretos, como um livro, um filme ou uma pessoa que lhe dirá o que fazer.

O fato é que sempre que ignoramos nossa voz interior, sofremos uma queda de energia, de poder, até mesmo dor física. O corpo é sábio tem uma linguagem muito clara. Dor e desconforto são sinais de alerta.  Por outro lado, quando seguimos nossos sentimentos intuitivos, a sensação resultante é de fluidez, de energia, de poder pessoal.

Como toda reeducação e nova prática, estamos sujeitos ao erro. Faz parte do processo e não podemos nos sentir culpados por isso. Não seguir a intuição o tempo todo também faz parte, portanto não podemos nos condenar. Precisamos ser pacientes e tolerantes com nossas limitações. No início teremos a impressão de vulnerabilidade e perda de controle. Mas, aos poucos, descobriremos um ser de muita sabedoria dentro de nós, com uma linguagem simples e focada no momento presente, que nos dará a sensação de confiança naquilo que somos e naquilo que buscamos realizar. Basta acreditar.

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