INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL, MACHINE LEARNING E EU

INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL, MACHINE LEARNING E EU

Escolhas e tomadas de decisões permeiam o dia-a-dia de qualquer ser humano habitante do planeta terra. Do momento em que nos levantamos da cama até o momento em que voltamos a ela estamos escolhendo uma coisa ou outra. Que roupa vestir, o que comer, como nos locomover, que programa assistir, que música ouvir.

São decisões muito rápidas, poucas vezes paramos para pensar ou nos questionar sobre os critérios por trás dessa ou daquela escolha. Segundo o historiador e escritor israelense Yurval Noah Harari, devemos ter poucas ilusões a respeito de nós mesmos no que se trata das nossas decisões; quando um desejo nos aparece na mente não devemos nos iludir achando que é o nosso livre arbítrio e sim, investigar mais profundamente.

Vivemos numa era onde as funções mais básicas da vida passam por máquinas. Estudamos, trabalhamos, pagamos contas, compramos, planejamos nossas férias, por meio de computadores. Podemos conhecer pessoas, nos corresponder, namorar, assistir filmes, jogar; podemos passar dias e dias em frente à tela do computador e as possibilidades são quase infinitas. Dificilmente encontraremos alguém que defenda a ideia de que a internet trouxe mais efeitos negativos que positivos. Os problemas começam no momento em que nosso controle sobre a máquina começa a inverter proporções. E isso acontece com o que chamamos de “Inteligência Artificial” e “Machine Learning”.

A Inteligência Artificial surgiu com a Internet; ela é a criação artificial de uma “inteligência” similar à inteligência humana, que consegue aprender, pensar, planejar, perceber ou processar a linguagem natural. Essa tecnologia trouxe enormes oportunidades sócio-economicas, juntamente com grandes desafios éticos. Juntamente com a Internet, a Inteligência Artificial muda a nossa maneira de vivenciar o mundo, com potencial para ser um novo motor de crescimento econômico. Já usamos a I.A. em filtros de email, detecção de fraude, personalização de serviços online, reconhecimento de fala (ex: Siri), entre outras funções.

Já Machine Learning é a criação de algoritmos que geram algoritmos. Por algoritmos entendemos uma sequência de instruções usadas para resolver problemas. Desenvolvidos por programadores para instruir computadores a desempenhar novas tarefas, os algoritmos são peças na engrenagem do avançado mundo digital que vivemos. Em Machine Learning são os algoritmos de aprendizagem, ou learning algorithms, e não os programadores, que criam as regras. Ao invés de programar o computador passo-a-passo, essa abordagem dá instruções ao computador que lhe permitem aprender a partir de dados sem novas instruções da parte do programador. Isto significa que o computador pode ser usado para tarefas mais complicadas que não poderiam ser programadas manualmente, tais como reconhecimento fotográfico ou tradução fotográfica em palavras. Isto é feito basicamente dando um treinamento de dados a um algoritmo de aprendizagem.

Tudo isso soa um pouco como filme de ficção científica, sim. Mas já é a realidade que estamos vivendo. Voltando ao historiador Harari, qual seria o caminho para navegarmos nesse mar um tanto ainda desconhecido para os simples mortais sem perder o rumo? Autoconhecimento. Toda e qualquer forma de autoquestionamento, introversão, autoinvestigação é válida. Ele, Harari, faz duas horas de meditação diariamente, o que pode parecer ambicioso à maioria das pessoas.

Métodos não faltam. Meditação, religião, terapia, coaching, literatura, entre outros. O importante é não perder de vista questões básicas que rondam o ser humano desde sempre ao longo da historia da humanidade – quem sou, o que quero, o que não quero, o que realmente importa pra mim, qual é o meu propósito nesta vida. Quanto mais clareza tivermos neste sentido, mais fácil será entender o porque das nossas escolhas e mais força teremos para delimitar a presença do livre arbítrio nas nossas tomadas de decisão. Caso contrário, corremos o risco de um dia perceber que Google ou Amazon nos conhecem melhor que nós mesmos.

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