Inteligência Emocional

Inteligência Emocional

A educação é motivo de um grande respeito em nossas sociedades, abrindo portas e impulsionando aqueles que a cultivam a postos privilegiados onde quer que passem. Por educação entende-se o conhecimento de números e palavras, das ciências naturais e da história, aspectos culturais e de negócios.

Porém, ainda que estejamos no terceiro milênio e tenhamos evoluído consideravelmente como gênero, ainda nos parece estranho imaginar que seja necessário também educar nosso funcionamento emocional, que tenhamos que aprender a não “sair do sério” ou a entender nossas angústias, ou como escolher um parceiro, ou nos expressar a um colega de trabalho.

O fato é que herdamos uma visão romântica das emoções, que sugere que devemos seguir a intuição. Segundo esta visão, não devemos tentar entender, analisar, moderar ou reprimir nossas emoções, e sim dizer aos outros o que sentimos, sem medo das consequências da honestidade emocional. Para o Romantismo, ser verdadeiro para com os sentimentos é uma virtude. As intenções são as melhores possíveis, mas as consequências nem sempre são as mais tranquilas. Tentar navegar nossa vida emocional só pela intuição é algo como tentar pousar um avião sem treinamento.

A nossa tarefa então é adquirir habilidades emocionais que possam contribuir para uma “inteligência emocional” capacitadora. Quando falamos de inteligência em geral nos referimos aos tipos de inteligência que representam a habilidade de lidar com um determinado conjunto de desafios: matemático, linguístico, técnico, comercial, etc. Porém, quando vemos que uma pessoa é inteligente, mas sua vida pessoal é um desastre, ou vemos alguém que fez fortuna, mas é muito difícil de se conviver, estamos descrevendo alguém com um déficit de inteligência emocional.

A inteligência emocional é a qualidade que nos capacita a negociar com paciência, insight e temperança os problemas centrais em nossos relacionamentos com os outros e com nós mesmos. Nas parcerias ela se expressa na sensibilidade aos problemas do outro, na facilidade com que se compreende o que está por baixo da superfície e na habilidade de se colocar no ponto de vista dele; com relação a nós mesmos quando conseguimos lidar com a raiva, a inveja, a ansiedade e confusões profissionais com resiliência, às vezes até com certo senso de humor.

Várias correntes ao longo da história tentaram de diferentes maneiras abordar nossa inteligência emocional de maneira sistemática, como a religião, tentando melhorar a qualidade de nossas respostas emocionais através das mais variadas doutrinas. Hoje em dia, a cultura chamada “autoajuda”, através de seus inúmeros títulos, também tenta apoiar a pessoa em sua tentativa de lidar com os desafios da existência.

Mas a ideia de inteligência emocional, apesar de profundamente relevante, continua sendo amplamente negligenciada. A psicologia do século XX, inicialmente com Jean Piaget, foi pioneira na abordagem do desenvolvimento infantil em seus principais estágios, do nascimento à idade adulta. Porém, na realidade, nunca paramos de crescer. A possibilidade do amadurecimento emocional está presente vida afora, embora sem muitas vezes nos darmos conta. Neste caminho vitalício há pontos em que se pode perceber a aquisição de vários insights importantes, como quando uma pessoa admite que não se conhece muito bem, ou que pode não estar sempre certa, ou ainda que deve se esforçar para expor suas irritações com calma ao invés de explodir. Da mesma forma que celebramos um aniversário, num mundo mais sábio celebraríamos o momento em que a pessoa aprende a se desculpar ou a entender que os erros dos outros podem ser fruto de medo e ansiedade ao invés de maldade.

Estamos ainda lutando para entender como funcionamos emocionalmente, muitas vezes jogando emoções desconfortáveis num lugar obscuro, de onde elas se manifestam sob a forma de sintomas variados, e nos atrapalhamos tentando nos explicar aos outros, ao mesmo tempo em que temos grande dificuldade em interpretá-los. Tudo isso torna relacionamentos de qualquer espécie desafios quase impossíveis de ser enfrentados.

A ideia de maturidade e desenvolvimento emocional, ou inteligência emocional,  requer que se aprenda a dominar um leque de habilidades, como ter empatia consigo mesmo, ter uma compreensão definitiva das influências de nossa infância, conseguir comunicar nossos defeitos e excentricidades ao outro com clareza, interpretar os outros além daquilo que eles nos dizem diretamente, reconhecer suas necessidades, atingir um bom grau de confiança, olhar as tempestades do dia-a-dia à distância, e saber como enfrentar as mazelas da vida sem desistir de viver…

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