O Tempo e a Razão

O Tempo e a Razão

O tempo cura todas as feridas. O tempo é o senhor da razão. Tempo é dinheiro. O tempo não volta. Tanto já foi dito sobre ele; desde os primórdios da humanidade tenta-se compreendê-lo, domá-lo, medi-lo. O homem até encontrou fórmulas para isso. Mas na verdade a medida criada com base nos movimentos dos astros – segundos, minutos, horas, dias, semanas, meses, anos, etc. – apenas atenua a nossa incompreensão, pois o tempo é a coisa mais fluída e abstrata com que temos que lidar na nossa jornada terrestre.

É importante estar aberto à observação do que acontece à nossa volta, pois existem verdades preciosas que só ele nos pode trazer. Fatos, situações, circunstâncias que no momento em que ocorrem, muitas vezes, fogem à nossa limitada compreensão, com o passar do tempo assumem dimensões bem delineadas e facetas mais claras.

Outro aspecto intrigante é achar que, por medirmos o tempo através de uma convenção criada pelo homem, ele é igual para todos. Não é. O tempo é abstrato e o ser humano é complexo. Cada ser humano sobre a terra, em sua complexidade, vivencia o tempo à sua moda. Cada um de nós pode precisar de mais ou menos tempo para chegar aos mesmos resultados. O que um pode alcançar em minutos o outro pode levar uma vida; às vezes nem mesmo uma vida pode ser suficiente. Para os espiritualistas, se uma vida não é suficiente, muitas vezes, outras vidas são necessárias para que algumas questões sejam resolvidas.

Uma das melhores observações que podemos fazer com relação ao tempo é o ciclo da vida. Tudo que vive no planeta nasce, cresce e morre. Tudo tem seu tempo próprio de crescimento, de maturação, de degeneração. Existe uma paridade aproximada, mas não exata, do tempo que cada fase pode levar aos seres vivos, tanto no reino animal como no reino vegetal.

Como se dá então a passagem do tempo no âmbito existencial? No campo das ideias e dos sentimentos? A complexidade não é menor. O amadurecimento de vivências, constatações, revelações, aprendizados, requer tempo.  É verdade que ele pode curar as feridas da alma, mas não há regra com relação a quanto tempo seja necessário a cada um para que mágoas sejam cicatrizadas, lições aprendidas, mudanças realizadas; para que ele se torne, verdadeiramente, o senhor da razão.

Como seres vivos que somos, estamos aqui entregues ao passar do tempo. Nascemos, crescemos, amadurecemos e caminhamos inexoravelmente na direção da sua fluidez. Ele não volta, assim como não voltamos nós ao que já passou. Sendo assim, o melhor que podemos fazer para tirar o máximo de proveito deste presente divino que é a vida, para dar sentido à existência, é respeitar este senhor poderoso e não perder um fragmento sequer dele, tesouro que recebemos todos os dias; é não olhar para trás e sim, aprender o que deve ser aprendido, entender o que deve ser entendido e, com honestidade e coerência, nos entregarmos ao seu passar rumo ao futuro com leveza e gratidão.

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