Os Valores e a Escolha Profissional

Os Valores e a Escolha Profissional

Com as mudanças cada vez mais rápidas de hábitos e costumes nas sociedades modernas surge um crescente número de opções profissionais, que se somam àquelas já tradicionais abrindo um leque cada vez maior de caminhos a seguir, tanto para jovens à escolha de uma formação como para adultos que se descobrem insatisfeitos com o que fazem.

A hora então é da parar, respirar fundo, e mergulhar numa reflexão que traga luz sobre o que está por trás de uma escolha que pode comprometer todo um destino. Quais são os fatores por trás de nossas decisões? O que nos leva a optar por este ou aquele caminho? Se não tivermos conhecimento daquilo que está na base das nossas decisões corremos o risco de passarmos pela vida num voo cego procurando sentido e ainda correr o risco de nunca encontrar.

Nossa visão de mundo, criada desde a primeira infância, nosso conceito enraizado do que é certo ou errado, bom ou ruim, normal ou anormal, ou nossas convicções, é o que chamamos valores. Nós os assimilamos desde muito cedo a partir de tudo o que nos cerca. Na medida em que crescemos, novas referências passam a influenciar esta formação. Existe ainda um componente genético interferindo na formação do nosso código de valores, embora não se saiba exatamente em que proporção. Uma vez formado, esse código permanece relativamente estável ao longo da vida, só se abalando no caso de um evento emocional de grandes proporções.

Os valores estabelecem nossas prioridades na vida, aquilo que realmente importa a nós, nosso código de conduta, nossas atitudes, nossa bússola interna. Eles podem ser divididos em valores “meio” ou “instrumento” – mais tangíveis, como sucesso, dinheiro, atitude positiva – e valores “fim” – mais abstratos, são o nosso verdadeiro e mais profundo objetivo de vida, como felicidade, justiça, amizade verdadeira. Os valores “meio” nos impulsionam aos valores “fim”. Por exemplo, a família – um valor “meio” – me conduz à felicidade, segurança, estabilidade – valores “fim”. Existem inúmeras teorias listando uma infinidade de valores e cada uma os agrupa de maneiras diferentes. O fato é que cada pessoa tem seu próprio código limitado de valores, e luta para viver em alinhamento com eles. Uma incongruência entre valores e comportamento pode trazer problemas de graves consequências à pessoa.

Como então não considerá-los em nossa escolha profissional? Segundo Vernon, Allport e Lindzey, autores de “Estudo dos Valores”, a combinação dos tipos de valores e sua força podem determinar o sucesso profissional em algumas ocupações. Segundo Milton Rokeach, autor da “Pesquisa de Valores de Rokeach”, pessoas que buscam uma mesma profissão tendem a ter um código de valores parecido.

Mas o que pode haver de mais prático nesta reflexão, é a relação dinheiro – trabalho – felicidade. O dinheiro é um valor “meio”, muito importante enquanto alavanca, uma vez que pode nos trazer valores “fim”, como segurança, liberdade ou poder. Mas se encarado como um valor “fim” pode acabar gerando insatisfação e sensação de vazio.  Este é o risco da escolha profissional baseada no dinheiro como valor “fim”.

É claro que tudo aquilo que o dinheiro pode trazer representa uma grande fonte de prazer na vida, mas isso deve vir como consequência de uma escolha profissional consciente, ponderada e alinhada com nossos valores mais profundos, e realizada com vontade e paixão. Como disse Wayne Dyer, um dos mestres pensadores do autoconhecimento, “Fazer o que se gosta é a pedra angular para ter abundância na vida”.

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