Qual é a Sua Verdade?

Qual é a Sua Verdade?

Parece uma pergunta fácil, até mesmo básica.

Aprendemos desde sempre que mentir é feio, que devemos sempre dizer a verdade, ouvimos dizer até que quem falta com ela vê o nariz crescer… mas porque é tão comum as pessoas fugirem da verdade? Porque às vezes ela nos amedronta ou ameaça tanto?

Viver não é fácil, não. Na verdade, muitas vezes a arte de viver pode ser comparada à arte da guerra. É preciso muita clareza de propósito, muita estratégia, muita negociação. E aqui, ser honesto e transparente tem um preço muito alto: você entrega o jogo, tornando-se vulnerável.

Na guerra, é preciso estratégia e armas precisas para se alcançar um objetivo. É preciso conhecer bem o inimigo, atacá-lo em sua vulnerabilidade, destruir. É preciso esconder, enganar, mentir. Apesar de sempre haver ganhadores e perdedores oficiais, na realidade, todos perdem em uma guerra.

No jogo da vida, a verdade encontra um inimigo invisível: o ego. Moldado por experiências do passado, ele é movido por crenças rígidas, em geral limitantes, assim como pelo medo da mudança e pela incapacidade de enxergar os vários aspectos de uma mesma situação. Ele acredita nas estórias criadas por nós mesmos, que nada mais são que capa à nossa essência.

O ego tem uma voz intensa e ditatorial, que reflete o medo que temos de nos descobrir maus, fracassados, sem valor. Para se proteger ele cria máscaras e, usando suas máscaras, nos tornamos artificiais. Quando nosso propósito é guiado pelo ego, deixamos a essência de lado. Passamos a agir com segundas intenções, censuramos nossas palavras, tentamos prever o que surtirá efeito no outro, ou tentamos nos “vender” de alguma forma. Neste nível de interação não existe autenticidade, ou seja, não lidamos com a verdade. É onde a vida se parece com a guerra. Enquanto deixamos o ego e o medo nos guiar, vivemos num jogo de gato e rato nos escondendo atrás das máscaras, as armas que nos protegem da verdade essencial.

E que medo é esse que serve de combustível a uma poderosa força motora que temos em nós, que pode se tornar um grande inimigo se não for domado? É o medo de ser espontâneo, custe o que custar, medo de ser natural e confiar em nosso instinto; medo de não ser aceito, de não ser amado, medo da solidão, medo da rejeição, da ansiedade, da vergonha, do vazio interior. Medo de se entregar e medo de perder.

Nos anos 60, o lema “Make love, not war”, ou “Faça amor, não a guerra”, tornou-se um ícone mundial em decorrência da luta armada no Vietnã. No nosso mundo interior, podemos também optar por viver em guerra ou viver em amor. Adotando o ego e suas armas como nosso comandante, nos distanciamos da verdade, o que pode até trazer conforto momentâneo, e a sensação de vitória em alguma batalha, por mais breve que seja.

Já o caminho para a essência, para a comunhão com o todo, para o amor, não é outro senão a verdade. Pode ser um caminho mais difícil ou tortuoso aparentemente, um caminho de entrega e fé, mas é o único de onde saímos vitoriosos de fato, pois só a verdade nos liberta.

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